A mãe de Carla Zambelli, Rita Zambelli, expressou sua profunda decepção com a decisão da Justiça italiana de aceitar o pedido de extradição da ex-deputada federal, apresentado pelo governo brasileiro.
Segundo a publicação, Rita descreveu a decisão como um "golpe muito duro" e afirmou que manteve a esperança até o último momento de que "esse pesadelo acabasse".
A decisão ainda aguarda a confirmação do Ministério da Justiça italiano.
Em um vídeo divulgado nas redes sociais, Rita Zambelli compartilhou sua fé e gratidão pelas orações dos apoiadores, pedindo "coragem" à filha.
Ela destacou que, enquanto Carla não puder se manifestar, ela será a voz da filha.
A defesa de Carla Zambelli está preparando um recurso para a Corte de Cassação, que é o equivalente ao Supremo Tribunal Federal (STF) no Brasil.
Os advogados têm um prazo de 15 dias para apresentar o pedido.
A defesa de Zambelli argumentou que o julgamento no STF foi injusto, alegando que a prisão no Brasil teria condições desumanas.
No entanto, a Justiça italiana rejeitou essas alegações, afirmando que os crimes atribuídos a Zambelli são delitos comuns e que o processo seguiu as normas constitucionais brasileiras.
Entre os argumentos rejeitados pela Corte italiana estão a acusação de parcialidade do relator no processo brasileiro, a alegação de perseguição política e a contestação da validade do foro único no STF.
Carla Zambelli foi condenada duas vezes pelo STF.
A primeira condenação, de dez anos de prisão, foi por invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
A segunda, de cinco anos, foi por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal, relacionada a um incidente em São Paulo antes das eleições de 2022.
Zambelli, que possui cidadania italiana, deixou o Brasil em maio do ano passado, passando pelos Estados Unidos antes de se estabelecer na Itália, onde foi presa.
A defesa de Zambelli sustenta que o processo no Brasil tem fins persecutórios e natureza política, mas a Corte italiana concluiu que os crimes são comuns e que o processo seguiu o rito democrático.
A cidadania italiana de Zambelli foi considerada "meramente formal" pela Justiça italiana, sem laços sociais ou culturais reais com o país.
Enquanto o processo de extradição prossegue, a Justiça italiana decidiu manter Zambelli detida na penitenciária feminina de Rebibbia, em Roma, devido ao risco de fuga.
Caso seja extraditada, ela deverá cumprir pena na Colmeia, uma unidade prisional do Distrito Federal destinada a mulheres em regime fechado, semiaberto e presas provisórias.
A estrutura da Colmeia é organizada para preservar a integridade física e moral das custodiadas.
A decisão final sobre a extradição cabe ao ministro da Justiça italiano, Carlo Nordio.
A defesa de Zambelli acredita que a decisão tem um caráter político.
Enquanto isso, a mãe de Zambelli continua a expressar seu apoio e esperança de que a situação se resolva de maneira favorável para sua filha.