Uma viagem oficial ao exterior, paga por organizadores privados e cercada por nomes de peso, levanta uma pergunta inevitável: quem bancou a ida do diretor-geral da Polícia Federal a Londres?
A resposta começa com um evento realizado entre 24 e 26 de abril de 2024, na capital britânica.
Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal, participou do 1º Fórum Jurídico – Brasil de Ideias.
Mas a dúvida sobre a viagem não ficou apenas na agenda institucional.
Quem assumiu os custos dessa participação?
Segundo informações obtidas via Lei de Acesso à Informação, a própria PF informou que os organizadores do evento arcaram com despesas de pousada, alimentação e locomoção.
Isso significa que não houve pagamento de diárias ao servidor.
Mas quem eram esses organizadores?
Entre os patrocinadores do fórum estava o Banco Master, fundado por Daniel Vorcaro.
Também patrocinaram o encontro a British American Tobacco e a FS Security.
A partir daí, a questão ganha contorno mais preciso: o Banco Master bancou a viagem de Andrei Rodrigues para Londres.
E a Polícia Federal detalhou quanto foi gasto?
Não.
Em resposta enviada por meio da LAI, a corporação declarou que “não foram pagas diárias ao servidor” porque o organizador do evento custeou diretamente as despesas extraordinárias com pousada, alimentação e locomoção, nos termos da legislação citada pela própria instituição.
A PF acrescentou ainda que não tinha conhecimento dos valores despendidos pelos organizadores.
Houve algum pagamento adicional ao diretor-geral?
A resposta oficial foi negativa.
Segundo a PF, Andrei Rodrigues não recebeu remuneração, cachê, honorário, ajuda de custo ou qualquer outro benefício dos organizadores do evento.
Então qual foi sua participação no fórum?
No dia 26 de abril, Andrei participou do painel “As Instituições na Defesa da Igualdade Social e Econômica”.
A presença dele, portanto, ocorreu como parte da programação do encontro jurídico.
Mas onde os convidados ficaram hospedados?
Os participantes ficaram no The Peninsula London Hotel, hotel 5 estrelas em Londres.
Em uma simulação citada na reportagem, as diárias para abril de 2026 custavam em torno de R$ 6.
000.
Ainda assim, a PF afirmou não saber os valores efetivamente gastos pelos organizadores com a viagem do diretor-geral.
A história termina no fórum?
Não.
Londres também foi palco de outro compromisso citado na reportagem: uma degustação de whisky Macallan no George Club, clube privado localizado em Mayfair, uma das áreas mais caras da cidade.
Quanto custou esse encontro?
A degustação teve custo de US$ 640.
831,88, cerca de R$ 3,2 milhões no câmbio de abril de 2024.
Aproximadamente 40 pessoas participaram da confraternização oferecida por Daniel Vorcaro.
Quem estava entre os presentes?
Além de Andrei Rodrigues, participaram ministros do STF, ministros do STJ, um ministro de Estado, o procurador-geral da República e congressistas.
A reportagem informa ainda que o Poder360 procurou o diretor-geral da PF em fevereiro de 2026 e novamente em 7 de abril de 2026 para perguntar se ele gostaria de se manifestar.
Houve resposta?
Até a publicação da reportagem, não houve resposta.
O jornal informou que atualizaria o texto caso uma manifestação fosse enviada.
Então, afinal, o que se sabe com clareza?
Sabe-se que Andrei Rodrigues participou do 1º Fórum Jurídico – Brasil de Ideias, em Londres, entre 24 e 26 de abril de 2024; que a Polícia Federal declarou que os organizadores pagaram pousada, alimentação e locomoção; que não foram pagas diárias ao diretor-geral; que, segundo a corporação, ele não recebeu remuneração, cachê, honorário, ajuda de custo ou qualquer outro benefício; e que entre os patrocinadores do evento estava o Banco Master, que bancou a viagem do diretor-geral da PF a Londres.