Um valor de R$ 40 milhões em um único ano colocou um contrato sob os holofotes e levantou uma pergunta inevitável: quem pagou, a quem e em que condições?
Segundo informação revelada na noite de terça-feira (7) pelo jornal Folha de S.
Paulo, o Banco Master declarou à Receita Federal ter pago R$ 40.
111.
826,92 em 2024 ao escritório de advocacia da família do ministro Alexandre de Moraes.
Como esse número foi identificado?
De acordo com a apuração citada, os dados constam na declaração de Imposto de Renda do banco, cujo sigilo foi quebrado pela CPI do Crime Organizado.
Mas esse montante foi repassado de uma só vez?
Não.
A informação publicada aponta que o banco declarou ter feito 11 pagamentos mensais de R$ 3.
646.
529,72 ao escritório ao longo de 2024.
E houve recolhimento de tributos?
Sim.
O Master informou ter recolhido R$ 2.
466.
877,38 em impostos retidos na fonte.
Qual era a origem desse vínculo entre o banco e o escritório?
Segundo o jornal O Globo, o escritório Barci de Moraes e o banco de Daniel Vorcaro firmaram um contrato em 2024.
O que previa esse acordo?
O pagamento de R$ 3,5 milhões por mês durante três anos, com valor total de R$ 129 milhões.
E esse contrato seguiu normalmente até o fim?
Não.
Ele foi interrompido quando o Banco Central determinou a liquidação do Banco Master, em novembro de 2025.
O que mais ocorreu naquele momento?
Houve manifestação do escritório citado?
Sim, mas sem confirmação dos dados.
À Folha, o escritório Barci de Moraes afirmou que não confirmaria “informações incorretas e vazadas ilicitamente, lembrando que todos os dados fiscais são sigilosos”.
E houve novo contato depois disso?
A Gazeta do Povo informou que procurou o escritório, mas ainda não obteve retorno, mantendo o espaço aberto para manifestações.
Como essas informações chegaram à CPI?
Mais cedo, o relator da comissão, o senador Alessandro Vieira (MDB-SE), disse que os dados sobre os pagamentos feitos pelo Banco Master ao escritório da família do ministro chegaram ao colegiado apenas na própria terça-feira (7).
Por que isso chamou atenção?
Porque, segundo ele, essas informações deveriam ter sido enviadas antes.
A declaração foi direta: “Deveriam ter chegado antes.
Por algum motivo, a Receita esqueceu desses dados no primeiro envio”.
E o que acontece com a CPI agora?
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), recusou-se a prorrogar os trabalhos da CPI do Crime Organizado.
Qual é a consequência prática?
A comissão será encerrada na próxima terça-feira (14).
Por que o relator criticou essa decisão?
Para Alessandro Vieira, Alcolumbre presta um “grande desserviço à nação”, porque a comissão ainda teria “assuntos importantes a analisar”.
O senador foi além?
Sim.
Ele afirmou: “A CPI fez o que nenhuma outra conseguiu fazer antes, que é materializar o envolvimento de determinados ministros do STF com figuras que estão sob investigação”.
E o que Vieira disse especificamente sobre os documentos da Receita?
No plenário, ele afirmou que foi necessário pedir uma complementação para que chegasse “o dado bancário que comprova o recebimento e a dedução de impostos pelo escritório da doutora Viviane Barci”.
Qual foi o destaque dado por ele?
“Só em um ano, R$ 40 milhões recebidos”, declarou.
Houve questionamento sobre a justificativa desses pagamentos?
Sim.
Vieira também disse: “Contraprestação de serviço?
Então, o que está posto até aqui?
Que, segundo o jornal Folha de S.
Paulo, com base na declaração de Imposto de Renda do Banco Master obtida após quebra de sigilo pela CPI do Crime Organizado, o banco declarou 11 pagamentos mensais de R$ 3.
646.
529,72 ao escritório Barci de Moraes em 2024, somando R$ 40.
111.
826,92, com R$ 2.
466.
877,38 recolhidos em impostos retidos na fonte; que, segundo O Globo, havia um contrato firmado em 2024 prevendo R$ 3,5 milhões por mês por três anos, total de R$ 129 milhões; e que o escritório respondeu à Folha que não confirmaria “informações incorretas e vazadas ilicitamente”.