Uma ausência em casa abriu uma nova frente no caso de Jair Bolsonaro — e a resposta de Alexandre de Moraes veio com uma exigência direta.
O que motivou esse novo pedido da defesa?
Segundo a solicitação apresentada na última quinta-feira, a defesa do ex-presidente afirmou que Michelle Bolsonaro tem compromissos que a obrigam a sair de casa, o que poderia deixar Bolsonaro sozinho durante o período de recuperação.
Diante disso, os advogados pediram a inclusão de Carlos Eduardo Antunes Torres, irmão de criação de Michelle, como acompanhante.
Quem é a pessoa indicada para essa função?
A própria defesa informou que Carlos Eduardo é irmão de criação da ex-primeira-dama, descrito como filho de sua madrasta.
No pedido, os advogados afirmaram que Michelle já contou com a ajuda dele em outros momentos em que o acompanhamento de Bolsonaro se fez necessário.
A justificativa, portanto, foi apresentada como uma solução prática para os períodos em que ela não pudesse permanecer em casa.
Então por que Moraes não autorizou de imediato?
Porque o ministro do Supremo Tribunal Federal decidiu antes cobrar informações que, segundo ele, não foram apresentadas no pedido.
Moraes determinou que a defesa informe as qualificações profissionais de Carlos Eduardo Antunes Torres antes de qualquer decisão sobre sua inclusão como acompanhante.
O que exatamente ficou faltando, na avaliação do ministro?
Moraes observou que a defesa não esclareceu se Carlos Eduardo seria enfermeiro ou técnico de enfermagem.
Esse ponto passou a ser central no exame do pedido, já que a função pretendida envolve o acompanhamento de Bolsonaro em um momento de recuperação médica.
E qual é a formação informada oficialmente sobre Carlos Eduardo?
De acordo com os registros citados, ele se apresentou ao Tribunal Superior Eleitoral como fotógrafo e declarou ter ensino médio completo.
Além disso, ele é suplente de deputado distrital.
Há outros vínculos profissionais mencionados?
Sim.
Carlos Eduardo Antunes Torres já foi assessor da minoria no Senado, em 2023, mas não ocupa mais o cargo.
Também aparece na Receita Federal como sócio da Loja do Bolsonaro Oficial LTDA e da Torres Atividades de Produção, ambas sediadas em Brasília.
E em que situação Bolsonaro se encontra agora?
O ex-presidente ficará em casa por 90 dias, enquanto Moraes decide se mantém ou não a prisão domiciliar humanitária.
Nesse período, ele segue em recuperação de uma broncopneumonia bacteriana.
Há outros procedimentos médicos previstos?
Bolsonaro ainda deverá passar por uma cirurgia no ombro direito.
No entanto, a equipe médica informou que o procedimento só será liberado depois da recuperação integral do quadro respiratório.
Quem pode visitá-lo sem nova autorização judicial?
O senador Flávio Bolsonaro, também pré-candidato à Presidência, foi registrado como advogado de seu pai.
Por isso, não precisa pedir autorização a cada nova visita ao ex-presidente.
E o que fica pendente agora?
A decisão sobre a entrada de Carlos Eduardo Antunes Torres como acompanhante ainda depende da manifestação da defesa com as informações exigidas por Moraes.
Até lá, permanece sem autorização o pedido para que o irmão de criação de Michelle acompanhe Bolsonaro em casa.
No fim, o que está posto de forma objetiva é o seguinte: Alexandre de Moraes determinou que a defesa de Jair Bolsonaro apresente as qualificações profissionais de Carlos Eduardo Antunes Torres antes de decidir se autoriza sua inclusão como acompanhante; o ministro apontou que não foi informado se ele é enfermeiro ou técnico de enfermagem; Carlos Eduardo consta no TSE como fotógrafo, com ensino médio completo, já foi assessor da minoria no Senado em 2023 e aparece na Receita Federal como sócio da Loja do Bolsonaro Oficial LTDA e da Torres Atividades de Produção; Bolsonaro ficará em casa por 90 dias, em recuperação de broncopneumonia bacteriana, e ainda deverá passar por cirurgia no ombro direito após liberação médica.