Uma reviravolta silenciosa colocou de novo no centro da discussão um caso que muitos já tratavam como encerrado.
O que mudou, afinal?
Mudou justamente o ponto que parecia mais estável: a posição do Ministério Público de São Paulo sobre a ação envolvendo Monark.
Depois de um pedido de arquivamento feito no fim de março, o caso ganhou novo rumo com a troca do promotor responsável.
Mas por que isso chama tanta atenção?
Porque não se trata apenas de uma mudança burocrática.
O novo responsável passou a defender a continuidade da ação e ainda pediu a condenação do influenciador ao pagamento de R$ 4 milhões por danos morais coletivos.
E é nesse ponto que a história deixa de parecer resolvida e volta a ganhar peso.
Só que a dúvida inevitável é outra: como um caso que caminhava para ser arquivado volta a avançar com tanta força?
Segundo o próprio MP-SP, a substituição foi determinada pelo procurador-geral de Justiça substituto, durante o afastamento do titular do cargo.
Além disso, a vaga na promotoria de Direitos Humanos estava em aberto, o que levou a designações temporárias de diferentes promotores.
Isso explica tudo?
Porque há um detalhe que quase ninguém percebe de imediato: a mudança não ocorreu em um processo qualquer, mas em uma ação marcada desde o início por forte repercussão pública e por interpretações jurídicas opostas sobre as mesmas falas.
E quais falas são essas?
O caso nasceu de declarações feitas por Monark em 2022, durante um episódio do Flow.
Na ocasião, ele defendeu que partidos nazistas deveriam ter o direito de ser legalizados e afirmou que qualquer pessoa teria o direito de ser “anti-judeu”.
As declarações provocaram reação imediata, repercussão negativa e acabaram levando ao seu desligamento do podcast.
Então por que houve pedido de arquivamento antes?
Porque o promotor que atuava no caso até então, Marcelo Otavio Camargo Ramos, mudou sua avaliação no processo.
Para ele, as falas se enquadravam em uma defesa abstrata, ainda que equivocada, da liberdade de convicção e de expressão, e não na defesa do ideário nazista em si.
Mas isso encerrou a controvérsia?
Muito pelo contrário.
É aqui que muita gente se surpreende: o mesmo conjunto de declarações passou a sustentar leituras completamente diferentes dentro do próprio Ministério Público.
De um lado, a classificação inicial de discurso de ódio com conteúdo antissemita.
De outro, a interpretação de que o debate tratava dos limites da liberdade de expressão.
E o que foi considerado nessa avaliação anterior?
O promotor havia destacado que, antes das falas mais polêmicas, Monark qualificou o nazismo como “merda”, “lixo” e algo “do demônio”.
Também apontou que o debate, do qual participaram Kim Kataguiri e Tabata Amaral, não girava em torno dos aspectos positivos do nazismo, mas dos limites da liberdade de expressão.
Se esse era o entendimento, por que a ofensiva foi retomada?
O que acontece depois muda tudo, porque a discussão deixa de ser apenas sobre o conteúdo das falas e passa a envolver também a legitimidade da própria mudança de rumo.
E como a defesa reagiu?
Com “espanto”, segundo nota dos advogados.
A defesa afirma que houve violação de princípios processuais, como o do promotor natural, e questiona a reabertura de uma manifestação que já havia sido feita no processo.
Isso transforma o caso em uma disputa maior?
Sem dúvida.
Já não se discute apenas o que foi dito em 2022, mas também quem pode rever esse entendimento, em que condições e com quais efeitos.
E esse é o ponto central que recoloca Monark no foco: a ação que parecia perder força voltou com novo impulso, novo responsável e um pedido milionário.
No fim, a principal virada é essa: o MP-SP trocou o promotor, reabriu a ofensiva contra Monark e passou a cobrar R$ 4 milhões pelas declarações feitas no Flow.
Mas a parte mais sensível talvez ainda esteja adiante, porque agora o caso não testa só os limites da fala que gerou a crise, e sim os limites da própria resposta institucional a ela.