Uma frase bastou para transformar a indicação de Jorge Messias ao STF em novo foco de confronto político: “Queremos que a vaga fique aberta até 2026 e seja decidida pelo próximo presidente.
”
Quem disse isso e em que contexto?
A declaração foi feita pelo partido Novo, que publicou nesta quinta-feira, 9, um manifesto nas redes sociais contra a indicação do atual advogado-geral da União para a vaga no Supremo Tribunal Federal deixada por Luís Roberto Barroso.
Mas o que exatamente o partido contestou?
A crítica não ficou restrita à escolha em si.
A legenda também associou a indicação a um padrão que, segundo o manifesto, teria marcado as nomeações feitas por Lula ao longo de seus mandatos.
Que padrão seria esse, segundo o partido?
O manifesto diz que Lula adotou como critério “intimidade e subserviência” ao escolher ministros para a Corte.
Para sustentar essa acusação, o Novo cita nomeações anteriores e menciona Dias Toffoli, descrito como “um advogado do PT”, Flávio Dino, apontado como “um ex-ministro de seu governo”, e Cristiano Zanin, chamado de “advogado pessoal” do presidente.
E por que Jorge Messias foi alvo de críticas tão duras?
O partido resgata episódios de sua trajetória e o chama de “Bessias”, referência ao apelido pelo qual ficou conhecido.
No manifesto, ele é descrito como alguém que atuou como “office-boy de luxo de Dilma” na tentativa de “obstruir a justiça” e impedir a prisão de Lula.
O texto também afirma que Messias “fez vista grossa” durante o escândalo envolvendo o INSS e que esteve à frente da AGU durante o que o partido classificou como o maior aumento de gastos com supersalários na história da instituição.
Que números foram citados nessa crítica?
Segundo o manifesto reproduzido na reportagem, só em 2025 foram 6 bilhões em honorários pagos, e Jorge Messias recebeu mais de 700 mil reais.
A partir disso, o Novo sustenta que, se aprovado pelo Senado, ele poderá permanecer 30 anos no cargo, o que, na visão da legenda, significaria “três décadas a serviço do petismo”.
Mas a reação do Novo se limita ao nome indicado?
Não.
O partido amplia o ataque ao relacionamento entre Executivo e Judiciário.
No manifesto, afirma que, no terceiro mandato de Lula, a Suprema Corte já prestou ao presidente “serviços muito valiosos”.
Entre os pontos citados estão a perseguição a nomes da direita, a anulação de condenações da Lava Jato, a possibilidade de contornar a Lei das Estatais e o apoio à arrecadação do governo por meio de decisões sobre impostos.
E onde entra o Senado nessa disputa?
Justamente no centro da estratégia defendida pelo partido.
O Novo afirma que barrar a indicação seria uma “grande oportunidade” para o Senado retomar protagonismo, mostrar força e “refrear o crescente ímpeto autoritário do consórcio entre Executivo e Judiciário”.
A legenda também diz que os senadores precisam reagir de forma contundente ao que chama de tentativa de aparelhamento institucional.
Por que o partido fala em reação imediata?
Porque, segundo o manifesto, o STF vem ultrapassando limites há anos.
O texto acusa a Corte de interferir no Legislativo, manter inquéritos ilegais, prender inocentes, soltar culpados e agir em sintonia com setores influentes do poder.
Nesse mesmo argumento, o Novo menciona o fim da CPMI do INSS e cita discursos de Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes contra a atuação do Parlamento como sinal de tensão entre os Poderes.
E o que o partido quer, afinal, de forma objetiva?
Quer que a cadeira permaneça sem ocupante até 2026. E quer que a escolha do próximo ministro seja feita pelo próximo presidente.
A posição foi resumida pelo próprio manifesto em sua formulação mais direta: “Queremos que a vaga fique aberta até 2026 e seja decidida pelo próximo presidente.