O que aconteceu com o coração de um homem que correu 366 maratonas consecutivas?
A história de Hugo Farias, um homem que decidiu correr 366 maratonas consecutivas, levanta muitas perguntas sobre os limites do corpo humano e os efeitos de tal esforço no coração.
Aos 46 anos, Hugo, que trabalhou por 22 anos no setor privado, decidiu mudar de vida e se dedicar a um desafio esportivo inédito.
Inspirado pelo navegador brasileiro Amir Klink, Hugo quis deixar sua marca no mundo, segundo a publicação do Terra.
Por que Hugo Farias decidiu correr 366 maratonas consecutivas?
Hugo sentiu um crescente incômodo com sua rotina e desejava inspirar pessoas de uma forma diferente.
Ele descobriu que um atleta belga, Stephen Engels, havia corrido 365 maratonas em um ano e decidiu superá-lo, criando um plano para correr uma maratona a mais.
"Eu não era nenhum grande atleta", afirma Hugo, que começou a correr em 2019 e tinha um histórico recente no esporte.
Como Hugo se preparou para esse desafio?
Hugo montou uma equipe multidisciplinar, incluindo médicos, treinadores, fisioterapeutas e psicólogos, para ajudá-lo a planejar e executar o desafio.
Ele também contou com o apoio do Instituto do Coração (InCor) para monitorar seu coração durante o esforço.
"Queria gerar alguma contribuição científica", explica Hugo.
Qual foi o impacto no coração de Hugo?
O acompanhamento do InCor transformou-se em um projeto de pesquisa, aprovado por um comitê de ética.
Segundo a cardiologista Maria Janieire Alves, o estudo mostrou que, apesar do volume e frequência do exercício, não houve alteração nos marcadores de troponina, que indicam dano miocárdico.
"Foi a principal descoberta do estudo", afirma Alves.
O coração de Hugo adaptou-se à carga atlética de grande volume, desde que a intensidade fosse moderada.
Quais foram as descobertas mais notáveis do estudo?
O cardiologista esportivo Filippo Savioli destaca a ausência de remodelamento cardíaco patológico, mesmo após 366 maratonas consecutivas.
Isso indica que a adaptação cardiovascular foi predominantemente fisiológica.
"O coração do atleta treinado pode tolerar estresses extremos, desde que dentro de uma faixa de intensidade segura", explica Savioli.
Como Hugo manteve a segurança durante o desafio?
Hugo correu em intensidade moderada, com frequência cardíaca média de 140 bpm, o que o manteve numa zona segura de esforço.
"Correr nessa faixa reduz o risco de danos ao coração", afirma Savioli.
Hugo também fez uma análise de riscos e traçou um plano de ação para possíveis cenários adversos.
Quais foram os desafios enfrentados por Hugo durante o ano?
Hugo enfrentou lesões, como fascite plantar e pubalgia, além de condições adversas como frio, calor e chuva.
Ele também lidou com questões psicológicas, trocando uma carreira consolidada por um projeto incerto.
O apoio psicológico foi crucial para manter o foco e aliviar a ansiedade.
Quais são os planos futuros de Hugo?
Após concluir o projeto, Hugo escreveu um livro sobre sua experiência e agora planeja correr toda a extensão das Américas, de Prudhoe Bay, no Alasca, até Ushuaia, na Terra do Fogo.
Ele deseja transformar essa jornada em um documentário para inspirar futuras gerações.
Qual é a mensagem principal dessa história?
A história de Hugo Farias destaca a capacidade do corpo humano de se adaptar a desafios extremos, desde que bem acompanhado e dentro de limites seguros.
"A prática regular de atividade física, quando bem acompanhada, é segura e tem um impacto direto na melhora da saúde vascular", afirma Roberto Kalil Filho, presidente do InCor.
Hugo espera que sua jornada inspire outros a acreditarem em seu potencial e nos benefícios da atividade física.