Tudo parecia seguir como uma celebração comum, até que o prêmio mais aguardado terminou nas mãos de quem conduzia o próprio sorteio.
Como isso aconteceu?
Em Canasvieiras, em Florianópolis, o padre Eduardo Senna, pároco da Paróquia Nossa Senhora de Guadalupe, organizou uma rifa beneficente chamada Ação Entre Amigos.
O objetivo era arrecadar recursos para a reforma de cinco comunidades ligadas à paróquia: São Pedro, São Brás, Divino Espírito Santo, Sagrada Face e a própria Matriz.
E qual era o prêmio principal?
Um Fiat Argo 0km.
Além dele, também estavam previstos outros itens no sorteio: TV de 32 polegadas, air fryer, notebook, churrasqueira elétrica, bicicleta e micro-ondas.
Cada número custava R$ 50, com pagamento feito por Pix.
Quando o caso começou a chamar atenção?
No momento do sorteio, realizado no domingo de Páscoa, 5 de abril, durante a missa na Igreja Matriz.
Foi ali que o bilhete retirado para o prêmio principal gerou surpresa e, logo depois, questionamentos.
O que havia de diferente nesse bilhete?
Conforme o vídeo do sorteio que circula nas redes sociais, o bilhete sorteado para o carro estava em branco, sem nome ou dados preenchidos.
Em seguida, o próprio padre reconheceu, no momento da premiação, que aquele bilhete era dele.
Ele já havia dito que participaria?
Sim.
Ainda durante a missa, antes mesmo do sorteio, o pároco afirmou aos fiéis que havia comprado números e que os deixou sem preencher o nome.
Quando o bilhete premiado foi retirado, ele declarou: “É em branco, é o meu.
Aqui em branco, nada escrito, porque é verdade.
E não estou mentindo”.
Por que isso provocou reação?
Porque o fato de o organizador da rifa também participar da ação, e ainda vencer o prêmio principal com um bilhete sem identificação, levantou dúvidas entre fiéis e pessoas que ajudaram na venda dos números.
Quem questionou a dinâmica?
Ela também comparou a situação ao dono de uma empresa participar do próprio sorteio promovido por ela.
Segundo seu relato, ficou com vergonha diante das pessoas para quem vendeu os bilhetes.
A reação ficou restrita aos bastidores?
Não.
Segundo essa mesma catequista, a comunidade está indignada, embora parte dos fiéis tenha receio de se manifestar publicamente por medo de represálias.
Nas redes sociais, a repercussão também apareceu de forma clara.
O que disseram os comentários?
De um lado, houve quem defendesse que ele comprou bilhetes e, por isso, teria direito ao prêmio como qualquer outro participante.
De outro, surgiram críticas à lisura do processo, com observações de que um bilhete sem nome não comprova propriedade e de que um sorteio com prêmio de alto valor deveria estar vinculado à Loteria Federal para garantir mais transparência.
Houve resposta oficial?
Até a publicação da reportagem, não havia manifestação oficial da Paróquia Nossa Senhora de Guadalupe nem da Arquidiocese de Florianópolis sobre os questionamentos levantados.
Existe denúncia formal registrada?
Conforme apurou o Jornal Razão, ainda não havia registro de denúncia formal sobre o caso.
E os outros prêmios?
Os demais itens sorteados foram entregues a outros ganhadores.
O que ficou no centro de toda a repercussão?
O fato de que o padre Eduardo Senna, responsável por organizar a rifa beneficente da paróquia, participou do sorteio, informou previamente que havia comprado bilhetes deixados em branco, e acabou sendo anunciado como vencedor do Fiat Argo 0km justamente após o sorteio de um bilhete sem identificação, durante a missa de 5 de abril, em Florianópolis.