O que realmente preocupa o PL neste momento: uma disputa interna ou o risco de perder o embalo de Flávio Bolsonaro?
Antes, surge em meio a um cenário de avanço nas pesquisas, tensão nas redes e cuidado redobrado às vésperas do período eleitoral.
Qual é, então, a orientação que prevalece entre os estrategistas de marketing da campanha?
A linha adotada é a de ampliar o crescimento de Flávio Bolsonaro e impedir que discussões nas redes sociais interfiram nesse projeto.
A avaliação é que o mais importante agora é não deixar que a tendência de alta do pré-candidato à Presidência perca força nos dias mais próximos do primeiro turno.
Por que isso é visto como decisivo?
Porque, na leitura de uma fonte ligada à campanha do PL, estar em crescimento neste momento é uma vantagem política relevante.
“Para o Flávio, é muito melhor ele estar crescendo do que o Lula [PT]”, afirmou essa fonte.
A mesma avaliação acrescenta que ter um gráfico de crescimento a quatro dias da eleição é positivo para qualquer candidato, embora ainda exista margem de indefinição no eleitorado.
Segundo essa fonte, “ainda tem muita água para rolar e mais de 10% que ainda não decidiram em quem votar”.
Mas esse crescimento é apenas percepção política ou há números que sustentam essa leitura?
Há dados mencionados na apuração.
Em dezembro, Flávio Bolsonaro estava 10 pontos atrás de Lula em levantamento da Quaest.
Já em março, pela primeira vez na série histórica do instituto, Lula e Flávio apareceram empatados em um cenário de segundo turno, com 41% das intenções de voto.
É justamente essa trajetória que os estrategistas querem preservar.
Se o foco está no avanço do pré-candidato, onde entram as divergências entre aliados?
Elas aparecem como um fator de preocupação, mas não como o centro da estratégia.
A avaliação interna é que qualquer tipo de rusga entre integrantes não tem impedido o crescimento da candidatura.
Ainda assim, o tema ganhou atenção por causa de um episódio recente envolvendo nomes do próprio campo político.
Que episódio foi esse?
No sábado, dia 4, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro voltou a criticar Nikolas Ferreira, também do PL.
Eduardo reagiu às risadas virtuais de Nikolas diante de uma postagem do professor Silvio Grimaldo, seguidor de Olavo de Carvalho e crítico da família Bolsonaro.
O caso ajudou a reforçar o receio de que atritos públicos desviem o foco da campanha.
Como a direção do partido reage a esse tipo de ruído?
O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, está alinhado com a posição dos marqueteiros.
Para ele, mais importante do que discussões internas é fortalecer ainda mais Flávio Bolsonaro num momento em que a vantagem do presidente diminuiu gradualmente.
Ao comentar o ambiente de tensão, Valdemar resumiu sua posição de forma direta: “Não podemos brigar”.
E completou: “Temos que ter paciência.
Temos que pensar no [Jair] Bolsonaro.
Veja o que ele está passando.
”
Isso significa que a campanha está mergulhada nessas disputas?
A campanha de Flávio Bolsonaro está alheia a qualquer disputa interna.
O esforço está concentrado em outro ponto: oferecer alternativas à insatisfação da população com o atual governo.
E como essa disputa deve ser travada no debate público?
A leitura apresentada é que haverá dois movimentos.
“De um lado, o governo vai dizer que o Brasil melhorou e tentará provar isso.
Do outro, a oposição vai ressaltar os erros e mostrar onde o país piorou”, afirmou o interlocutor.
Nesse cenário, a escolha das pautas passa a ser um dos grandes desafios dos estrategistas.
Por que a definição dessas pautas pesa tanto?
Porque, segundo essa mesma avaliação, “existe uma insatisfação maior do que a satisfação”, e isso pode influenciar diretamente a forma como as campanhas tentam dialogar com o eleitorado.
É nesse ambiente que o partido busca evitar dispersão, reduzir o impacto de ruídos e sustentar a curva de crescimento.
No fim, o que o PL quer preservar acima de tudo?
Quer manter viva a tendência de alta de Flávio Bolsonaro, impedir que discussões nas redes sociais contaminem esse movimento e atravessar os dias mais próximos do primeiro turno com o foco concentrado no fortalecimento da candidatura, enquanto os números citados na apuração permanecem como referência desse avanço: em dezembro, 10 pontos atrás de Lula na Quaest; em março, empate em 41% no segundo turno, pela primeira vez na série histórica do instituto.