Uma nova convocação da Polícia Federal colocou um nome já citado na investigação de volta ao centro de uma pergunta que ainda está longe de ser encerrada: por que esse depoimento importa agora?
A resposta começa justamente no timing.
A empresária Roberta Luchsinger foi intimada para prestar depoimento no inquérito que apura desvios em aposentadorias do INSS.
Mas se ela já aparecia no radar da investigação, por que só agora foi chamada formalmente a falar?
É aí que a história ganha outra camada.
Segundo a defesa, ela já havia apresentado esclarecimentos por escrito.
Então o depoimento ainda seria necessário?
A posição dos advogados é que sim, desde que haja acesso completo aos autos para eventuais esclarecimentos suplementares.
Isso significa que, para a defesa, não houve recusa.
Mas se não houve recusa, o que levou a PF a insistir nessa etapa?
O motivo está no avanço do próprio inquérito.
Os investigadores fizeram uma rodada de intimações de mais de 30 alvos para colher depoimentos, e Roberta entrou nessa lista.
A PF, inclusive, perguntou à defesa se haveria interesse em que o depoimento fosse por videoconferência.
Parece um detalhe simples, mas quase ninguém presta atenção nisso: quando a investigação amplia a coleta de versões, é porque tenta fechar lacunas que ainda permanecem abertas.
E quais seriam essas lacunas?
A principal envolve a ligação dela com um empresário apontado como peça central do caso.
Roberta foi alvo de busca e apreensão em uma das fases da Operação Sem Desconto, deflagrada em dezembro, depois que a PF identificou que ela recebeu pagamentos de R$ 1,5 milhão de Antônio Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS.
Ele é suspeito de liderar o esquema de desvios investigado.
Mas receber valores, por si só, responde tudo?
Não exatamente.
A dúvida seguinte é justamente sobre a natureza dessa relação.
A defesa sustenta que Roberta foi contratada por ele para atuar na regulação do setor de empresas de canabidiol.
E vai além: afirma que os negócios ficaram apenas em tratativas iniciais e não prosperaram.
Então por que o nome dela segue aparecendo com tanto peso nesse inquérito?
É aqui que muita gente se surpreende.
A Polícia Federal apontou indícios de que ela seria intermediária entre o Careca do INSS e Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.
Esse é o ponto que muda o tamanho da atenção sobre o caso.
Até aqui, o foco parecia estar apenas nos pagamentos e na relação comercial alegada.
Mas quando surge a suspeita de intermediação, a investigação passa a buscar não só o que foi pago, mas com qual finalidade, em que contexto e com quais conexões.
E qual é a resposta da defesa sobre isso?
Também dizem que não é a primeira vez que surgem ataques contra ela ou contra Fábio em razão dessa amizade.
A explicação, portanto, tenta separar amizade pessoal de qualquer interpretação criminal.
Mas isso encerra a questão?
Ainda não.
Há um ponto que reacende a curiosidade no meio de tudo isso: se ela já era alvo de medidas anteriores, por que não havia sido chamada antes para depor?
Essa ausência de depoimento formal até então chama atenção justamente porque agora a PF decidiu ouvi-la dentro de uma rodada mais ampla.
O que acontece depois pode redefinir o peso das versões já apresentadas por escrito.
No momento, o que existe de concreto é isso: a empresária foi intimada, a defesa afirma que já prestou informações e diz estar à disposição para novos esclarecimentos após acesso integral aos autos.
Ao mesmo tempo, a investigação mantém no centro a suspeita de desvios no INSS, os pagamentos de R$ 1,5 milhão identificados pela PF e os indícios de uma possível intermediação com Lulinha.
No fim, o ponto principal não é apenas a convocação em si.
É o que ela representa dentro de um inquérito que tenta conectar dinheiro, relações pessoais e suspeitas de atuação como ponte entre personagens-chave.
E justamente por isso o depoimento, se ocorrer, pode esclarecer uma parte importante da história — ou abrir perguntas ainda maiores.