Ela apareceu correndo por fora, mas agora ameaça passar na frente de nomes muito mais óbvios — e isso diz muito sobre o jogo que está sendo montado.
Quem é essa figura que ganhou força de repente?
É uma deputada federal de 50 anos, católica, com presença forte no interior de São Paulo e uma trajetória que mistura comunicação, religião e política.
Seu nome começou a circular com mais intensidade depois de um encontro com Flávio Bolsonaro em São Paulo, a convite do próprio senador.
E foi justamente a forma como esse encontro foi exposto que acendeu o alerta em Brasília.
Mas por que uma reunião virou sinal de favoritismo?
Porque ela saiu do encontro com ares de favorita e, logo depois, publicou um vídeo em que não apenas declarou apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro, como também reforçou o eixo que marca sua imagem pública: fé, Deus no centro das decisões e defesa de valores cristãos.
Ao lado dela, o senador também deixou pistas ao dizer que passou a acompanhar seu trabalho nas redes, especialmente na parte da fé, junto à comunidade católica e na defesa da família.
Então a escolha seria apenas religiosa?
Não exatamente.
E é aqui que muita gente se surpreende.
O nome dela cresce num momento em que Flávio Bolsonaro enfrenta resistências entre eleitores conservadores mais religiosos, especialmente no campo evangélico.
Lideranças desse segmento já demonstraram desconfiança em relação ao senador, e algumas chegaram a apoiar outros pré-candidatos.
Nesse cenário, aproximar-se de uma deputada com identidade católica tão explícita pode ser mais do que um gesto simbólico.
Mas há um detalhe que quase ninguém percebe: essa movimentação não mira só um grupo religioso, e sim uma recomposição mais ampla do voto cristão.
A lógica por trás da articulação é tentar atrair não apenas evangélicos, mas também católicos praticantes e conservadores que não se conectam necessariamente com a estética mais dura associada ao bolsonarismo tradicional.
O que vem depois dessa leitura muda o peso do nome dela.
E por que justamente ela, em meio a tantos nomes mais conhecidos?
É mulher, vem do interior paulista, fala diretamente com o público católico, está no PP e tem presença em São Paulo, o maior colégio eleitoral do país.
Em uma chapa presidencial, isso não é detalhe — é cálculo.
Só que ainda falta responder o principal: afinal, quem é ela?
Trata-se de Simone Marquetto, deputada federal pelo PP.
Antes de chegar ao Congresso, trabalhou por anos como repórter e apresentadora em emissoras locais de TV aberta.
Depois, consolidou-se como influenciadora católica, algo que ajudou a moldar sua imagem pública antes mesmo da entrada formal na política.
Ela também foi prefeita de Itapetininga, no interior paulista, reeleita com alta aprovação, e hoje cumpre seu primeiro mandato como deputada federal.
Mas o que sustenta a força dela além da biografia?
Sua atuação religiosa tem peso real na construção política.
Simone Marquetto é ligada a lideranças católicas, como frei Gilson, e se tornou uma das principais representantes da Igreja Católica no Congresso.
Nas redes sociais, divulga participações em eventos religiosos pelo país, especialmente ligados à imagem peregrina de Nossa Senhora Aparecida.
Também é autora da lei que criou o Dia Nacional do Rosário da Virgem Maria e da sessão solene em homenagem à visita da imagem peregrina de São Miguel Arcanjo ao Brasil.
Isso basta para torná-la vice?
E esse é o ponto que mantém tudo em aberto.
Embora o PP em São Paulo tenha afirmado que as conversas avançaram e que ela hoje é o nome mais forte para o posto, o fechamento dessa conta está longe de ser simples.
Há outros nomes no radar, como a senadora Tereza Cristina.
Mesmo assim, defensores de Simone argumentam que ela entrega algo diferente: amplia o alcance da chapa sem disputar protagonismo com o cabeça.
No fim, é justamente isso que faz seu nome crescer.
Simone Marquetto não surge como a vice que brilha sozinha, mas como a peça que pode costurar fé, território, partido e linguagem.
E talvez seja exatamente por não parecer, à primeira vista, a escolha mais óbvia que ela tenha se tornado a mais estratégica.
Resta saber até onde essa força silenciosa consegue avançar quando a disputa deixar os bastidores.