Um repasse de R$ 80 milhões colocou no centro da atenção a relação entre o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci, mulher do ministro Alexandre de Moraes.
De onde saiu essa informação?
Segundo a descrição do caso, ela aparece em documentos da Receita Federal obtidos pela CPI do Crime Organizado, do Senado, após a quebra de sigilo fiscal do banco.
Mas o que exatamente esses documentos indicam?
Eles demonstram que o escritório de Viviane Barci recebeu do Banco Master, de Daniel Vorcaro, R$ 80 milhões entre 2024 e 2025.
Esse valor surgiu de forma isolada?
Não.
A apuração menciona também a existência de um contrato entre o banco e o escritório.
E o que previa esse contrato?
De acordo com as informações divulgadas, havia previsão de pagamento mensal de R$ 3,5 milhões por 36 meses, o que levaria a um total de R$ 129 milhões.
Como esse contrato veio à tona?
Uma cópia digitalizada do documento foi apreendida no celular de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
Isso significa que todo o valor previsto foi pago?
Não há essa afirmação.
O que os documentos da Receita, segundo a descrição apresentada, comprovam é que pelo menos parte dos pagamentos foi efetivada.
E quanto dessa execução foi apontada?
O relator da CPI, senador Alessandro Vieira , afirmou que os valores recebidos pelo escritório chegam a R$ 80 milhões.
Por que esse número foi destacado pelo relator?
Segundo Vieira, a revelação mostra o quanto a investigação envolvendo o Master é complexa.
Ele também afirmou que o montante recebido pelo escritório condiz com o período em que Viviane declarou ter atuado junto ao banco.
E qual teria sido esse período?
O próprio escritório informou que os serviços foram prestados entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025, somando 22 meses.
Mas o que o escritório disse sobre o trabalho realizado?
Em nota divulgada no mês passado, foram apresentados detalhes do que estava previsto no contrato.
Quantas entregas teriam sido feitas?
Houve também reuniões?
Sim.
Segundo a nota, foram realizadas 94 reuniões de trabalho, sendo 79 presenciais na sede do banco.
E como essas reuniões foram descritas?
O escritório informou que as tratativas duraram cerca de três horas e envolveram problemas jurídicos e o desenvolvimento do objeto do contrato.
O escritório confirmou os valores revelados?
Não.
Quando procurado, o Barci de Moraes afirmou que “não confirma as informações incorretas e vazadas ilicitamente, lembrando que todos os dados fiscais são sigilosos”.
Essa foi a manifestação registrada sobre os dados obtidos pela CPI.
E por que o caso ganhou ainda mais repercussão?
Porque a descrição também menciona bens ligados à família de Alexandre de Moraes.
Quais bens foram citados?
Como esse imóvel foi adquirido?
Segundo documentos públicos de cartórios citados, ele foi comprado por R$ 12 milhões, com pagamento à vista, em setembro de 2025.
Há outros imóveis mencionados?
Sim.
A Lex Instituto de Estudos Jurídicos também adquiriu outro imóvel em 2025.
Qual?
Um apartamento duplex de 365 metros quadrados, em Campos do Jordão, com seis vagas de garagem e cinco suítes.
Quanto foi pago?
Segundo a informação apresentada, a empresa da família Moraes desembolsou R$ 4 milhões em março do ano passado.
Esse valor chamou atenção por quê?
Porque um imóvel idêntico, no mesmo prédio e com a mesma metragem, havia sido anunciado por R$ 7 milhões.
E esse era o único imóvel da família no edifício?
Não.
Esse foi o segundo imóvel da família Moraes no mesmo prédio.
Quando o primeiro foi comprado?
Em 2014, a Lex Instituto de Estudos Jurídicos adquiriu o apartamento ao lado, com 362,6 metros quadrados, também por R$ 4 milhões.
Quem vendeu as duas unidades?
Segundo os documentos citados, ambas foram vendidas pela construtora Poiano Lopes Ltda.
Então, o que está posto de forma objetiva até aqui?
Que documentos da Receita Federal, obtidos pela CPI do Crime Organizado após a quebra de sigilo fiscal do Banco Master, indicam que o escritório de Viviane Barci recebeu R$ 80 milhões entre 2024 e 2025; que havia um contrato com previsão de R$ 3,5 milhões por mês durante 36 meses, totalizando R$ 129 milhões; que o escritório declarou ter atuado por 22 meses, com 36 pareceres, 94 reuniões e uma equipe de 15 advogados; e que, ao ser procurado, afirmou não confirmar as informações e alegou que os dados fiscais são sigilosos.