Um pagamento de R$ 80 milhões colocou o Banco Master e o escritório de Viviane Barci, mulher do ministro Alexandre de Moraes, no centro de uma nova revelação.
De onde saiu essa informação?
Segundo a reportagem, ela aparece em documentos da Receita Federal obtidos pela CPI do Crime Organizado do Senado após a quebra de sigilo fiscal do banco.
Mas esse valor foi apenas citado ou há algo que o sustente?
A apuração ganhou peso porque, além dos registros da Receita, uma cópia digitalizada do contrato entre o banco e o escritório foi apreendida no celular do dono do Master.
E o que previa esse contrato?
O acordo, conforme divulgado, estabelecia um pagamento mensal de R$ 3,5 milhões por 36 meses.
Quanto isso representaria ao final?
O total chegaria a R$ 129 milhões.
Ainda assim, o que os documentos da Receita comprovam, segundo a reportagem, é que pelo menos parte desses pagamentos foi efetivada.
Se o contrato previa R$ 129 milhões, por que o valor citado agora é de R$ 80 milhões?
A resposta apresentada está no período de atuação declarado.
Segundo o relator da CPI, o senador Alessandro Vieira (MDB-SE), os valores recebidos pelo escritório chegam a R$ 80 milhões, o que condiz com o tempo em que Viviane declarou ter atuado junto ao banco.
Isso ajuda a entender a diferença entre o valor total previsto em contrato e o montante apontado como pago até aqui.
E qual foi a posição do escritório diante da divulgação?
A manifestação não reconhece os dados divulgados e também destaca o caráter sigiloso das informações fiscais.
O escritório detalhou quais serviços teriam sido prestados?
Sim.
No mês passado, segundo a reportagem, foram divulgados detalhes do que estava previsto no contrato com o Banco Master.
O escritório afirmou que os serviços foram prestados entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025, totalizando 22 meses.
O que teria sido feito nesse período?
Em nota, o escritório declarou ter produzido 36 pareceres, com ampla consultoria e atuação jurídica, por meio de uma equipe formada por 15 advogados.
Houve também reuniões de trabalho?
De acordo com a mesma nota, sim.
O escritório informou a realização de 94 reuniões, sendo 79 presenciais na sede do banco.
Quanto tempo duravam essas tratativas?
Segundo o texto, cerca de três horas.
E sobre o que tratavam?
A nota menciona problemas jurídicos e o desenvolvimento do objeto do contrato.
Por que a CPI considera essa revelação relevante?
Segundo o senador Alessandro Vieira, ela mostra o quão complexa é a investigação envolvendo o Banco Master.
A fala do relator aparece no contexto da análise dos documentos obtidos após a quebra de sigilo fiscal.
A reportagem menciona apenas os pagamentos ou traz outros dados patrimoniais ligados à família de Alexandre de Moraes?
Traz também informações sobre imóveis.
Quais?
A família do ministro tem em seu patrimônio uma mansão de 725 m² no Lago Sul, em Brasília.
Como foi feita essa aquisição?
Segundo documentos públicos de cartórios citados na reportagem, o imóvel foi comprado por R$ 12 milhões, com pagamento à vista, em setembro de 2025.
Há outros bens mencionados?
Sim.
A Lex Instituto de Estudos Jurídicos também adquiriu outro imóvel em 2025.
Qual?
Em março do ano passado, a empresa da família Moraes desembolsou R$ 4 milhões para comprar um apartamento duplex de 365 metros quadrados, em Campos do Jordão, com seis vagas na garagem e cinco suítes.
A reportagem acrescenta que um imóvel idêntico, no mesmo prédio e com a mesma metragem, havia sido anunciado por R$ 7 milhões.
Esse foi o único imóvel da família nesse edifício?
Não.
Esse foi o segundo imóvel da família Moraes no mesmo prédio.
O primeiro havia sido comprado quando?
Em 2014, a Lex Instituto de Estudos Jurídicos adquiriu o apartamento ao lado, de 362,6 metros quadrados, também por R$ 4 milhões.
Quem vendeu as duas unidades?
Segundo os documentos citados, ambas foram vendidas pela construtora Poiano Lopes Ltda.
No centro de tudo, permanecem os dados que impulsionaram a nova etapa da apuração: documentos da Receita Federal obtidos pela CPI do Crime Organizado apontam que o escritório de Viviane Barci recebeu R$ 80 milhões do Banco Master entre 2024 e 2025; o contrato apreendido previa pagamentos mensais de R$ 3,5 milhões por 36 meses, totalizando R$ 129 milhões; e o escritório declarou ter prestado serviços entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025, com 36 pareceres, 94 reuniões e atuação de 15 advogados.