Uma acusação lançada no centro da CPI do Crime Organizado colocou o nome de Alexandre de Moraes no foco de um embate que envolve Coaf, investigações financeiras e o Banco Master.
Mas o que, exatamente, foi dito?
Segundo o relator da comissão, Alessandro Vieira (MDB-SE), decisões do Supremo Tribunal Federal passaram a dificultar o avanço de apurações sobre crimes financeiros e afetaram diretamente o funcionamento do órgão responsável por relatórios de inteligência financeira.
Por que essa crítica ganhou força agora?
Porque Vieira afirmou que Moraes teria criado um ambiente de pressão sobre o Coaf ao impor restrições ao compartilhamento desses relatórios.
O senador resumiu essa avaliação com uma declaração direta: o Coaf estaria “constrangido e ameaçado [.
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] sob pena de cometer ilícitos”.
A fala surgiu no contexto de uma decisão que alterou a forma de envio de informações sensíveis.
E que decisão foi essa?
O que isso muda na prática?
De acordo com a crítica apresentada por Vieira, o nível de exigência para acessar dados financeiros sensíveis ficou mais alto, o que, na visão dele, trava ou retarda investigações.
Mas por que o senador relaciona essas restrições ao Banco Master?
Porque ele questiona a motivação dessas medidas e associa o tema às investigações que envolvem o banqueiro Daniel Vorcaro, dono da instituição.
A partir daí, a discussão deixa de ser apenas técnica e passa a tocar em episódios específicos que, segundo a CPI, merecem apuração mais profunda.
Quais episódios são esses?
A comissão aponta que Moraes realizou ao menos oito voos em aeronaves ligadas ao empresário.
Isso, por si só, já elevou a temperatura política.
Mas houve um ponto que chamou ainda mais atenção: um dos episódios teria ocorrido na véspera de um encontro entre o ministro e Vorcaro.
Existe algum registro citado sobre essa relação?
Sim.
Segundo informações mencionadas por Vieira, mensagens apreendidas pela Polícia Federal indicam que, em 8 de agosto de 2025, o banqueiro escreveu: “Tô com Alexandre”, em referência ao ministro.
A menção foi usada pelo relator para reforçar o questionamento sobre o contexto em que as restrições ao compartilhamento de dados foram impostas.
A crítica ficou restrita a esse ponto?
Não.
Vieira também mencionou a expansão patrimonial de Moraes.
O que foi citado?
De acordo com levantamento revelado pelo Estadão, Moraes e sua esposa ampliaram de forma significativa seus investimentos imobiliários nos últimos anos, com R$ 23,4 milhões aplicados apenas no período recente.
O senador trouxe essa informação para ampliar o debate sobre a necessidade de investigação.
E a CPI tratou apenas do ministro do STF?
Também não.
Vieira criticou o ex-governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, que deixou de comparecer à comissão após obter habeas corpus concedido pelo ministro André Mendonça, tornando facultativa sua presença.
A observação foi feita no mesmo contexto de críticas ao que o relator considera obstáculos ao trabalho da CPI.
Houve menção a outras instituições financeiras?
Sim.
O senador chamou atenção para a atuação do Banco de Brasília (BRB).
O que ele afirmou?
Para Vieira, esse movimento também precisa ser examinado com rigor.
E como ele resumiu sua crítica?
Com uma frase que concentra o sentido de sua acusação: “As decisões acabam protegendo estruturas que deveriam ser investigadas”.
Ao dizer isso, o relator sustenta que há desigualdade na aplicação da lei e que as restrições impostas ao Coaf estariam travando apurações justamente em áreas sensíveis das investigações financeiras.
No centro de tudo, então, o que fica?
Fica a acusação de Alessandro Vieira de que Alexandre de Moraes pressionou o Coaf, restringiu o compartilhamento de relatórios, dificultou o avanço de investigações e, nesse cenário, surgem as referências a Daniel Vorcaro, aos oito voos em aeronaves ligadas ao empresário, à mensagem “Tô com Alexandre” de 8 de agosto de 2025, aos R$ 23,4 milhões em investimentos imobiliários citados pelo Estadão, à ausência de Ibaneis Rocha na CPI após decisão de André Mendonça e à compra de cerca de R$ 20 bilhões em ativos ligados ao Banco Master pelo BRB.