Bastou uma homenagem pública para André Mendonça transformar o palco em uma resposta direta às pressões que cercam seu nome.
Mas por que um discurso em tom solene ganhou peso político e jurídico tão imediato?
Porque o ministro do STF é hoje relator de investigações que ocupam o centro do debate nacional, entre elas o caso do Banco Master e as apurações sobre fraudes no INSS, processos marcados por suspeitas bilionárias e por personagens influentes.
E o que exatamente ele quis sinalizar sem entrar nos detalhes dos autos?
Ao falar na Assembleia Legislativa de São Paulo, na noite de segunda-feira, Mendonça preferiu destacar os princípios que, segundo afirmou, devem orientar sua atuação.
Em vez de comentar diretamente os processos, usou a cerimônia para reforçar uma ideia central: suas decisões não podem ser guiadas por amizade, conveniência ou pressão externa.
Qual foi a mensagem mais direta nesse sentido?
Ela apareceu quando o ministro tratou de imparcialidade.
“Imparcialidade é olhar para todos de forma igual.
É não privilegiar amigos e não perseguir inimigos.
Eu não tenho esse direito”, afirmou.
A declaração veio em meio a críticas sobre possíveis influências em sua atuação e funcionou como resposta pública a esse ambiente de desconfiança.
Mas por que essas palavras repercutem tanto agora?
Porque os casos sob sua relatoria envolvem investigações de grande impacto.
No caso do Banco Master, há a possibilidade de novos desdobramentos com uma eventual delação.
Já nas investigações sobre fraudes no INSS, o peso político e financeiro das apurações também amplia a atenção sobre cada movimento do relator.
Nesse cenário, qualquer manifestação do ministro passa a ser lida como sinal sobre a forma como pretende conduzir decisões futuras.
E ele falou apenas de imparcialidade?
Não.
Mendonça também abordou a ideia de integridade, resumida por uma frase que guiou sua fala: “fazer o certo pelo motivo certo”.
O que ele quis dizer com isso?
Foi nesse ponto que ele acrescentou outra observação: “Às vezes, fazer o certo não traz aplauso.
Pelo contrário, pode trazer crítica.
Ainda assim, é isso que precisa ser feito”.
Como essa visão se conecta ao papel que ele exerce no Supremo?
O próprio ministro respondeu ao falar sobre sua chegada ao gabinete e sobre a forma como enxerga a função.
“A cadeira não é poder.
É dever.
E o problema começa quando a gente confunde essas duas coisas”, declarou.
A frase reforçou a tentativa de afastar a ideia de que o posto no tribunal possa ser tratado como espaço de prestígio pessoal, e não como responsabilidade institucional.
Houve também recado ao próprio Judiciário?
Sim.
Em meio ao aumento da cobrança pública sobre decisões da Corte, Mendonça afirmou que magistrados não estão imunes a críticas.
Mas fez uma ressalva importante: precisam estar imunes a atitudes que comprometam a credibilidade da Justiça.
Foi nesse contexto que disse: “Nós não estamos imunes a críticas, mas precisamos estar imunes a atitudes que comprometam a credibilidade da Justiça.
Nem tudo que é permitido convém para quem ocupa essa função”.
Quem acompanhou essa fala de perto?
E houve ainda uma menção que chamou atenção: durante o evento, Mendonça citou Messias e manifestou o desejo de vê-lo futuramente no STF.
O discurso ficou restrito ao ambiente institucional?
Não completamente.
Em meio às declarações sobre dever, integridade e imparcialidade, o ministro também mencionou sua trajetória pessoal.
Natural de Santos e com raízes em Miracatu, ele trouxe referências à própria origem durante a fala.
E quais foram, afinal, os recados deixados por André Mendonça naquela noite?
Que sua atuação nos casos do Banco Master e das fraudes no INSS será, segundo afirmou, guiada por imparcialidade, por integridade e pela noção de que a função no STF representa dever, não poder.
Em suas palavras: “Imparcialidade é olhar para todos de forma igual.
É não privilegiar amigos e não perseguir inimigos.
Eu não tenho esse direito”, “fazer o certo pelo motivo certo”, “Às vezes, fazer o certo não traz aplauso.
Pelo contrário, pode trazer crítica.
Ainda assim, é isso que precisa ser feito”, “A cadeira não é poder.
É dever.
E o problema começa quando a gente confunde essas duas coisas” e “Nós não estamos imunes a críticas, mas precisamos estar imunes a atitudes que comprometam a credibilidade da Justiça.
Nem tudo que é permitido convém para quem ocupa essa função”.