A conta ficou apertada, e o governo correu para mexer as peças antes da votação.
A indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao Supremo Tribunal Federal chegou à CCJ do Senado cercada por um movimento claro do Planalto para garantir o resultado.
O placar atualizado mostra 15 votos favoráveis e 8 contrários, exatamente um voto acima do mínimo necessário para que o nome avance ao plenário.
O dado, por si só, já chama atenção.
Mas o que realmente alterou o cenário foi a troca de integrantes na comissão.
Por que isso importa tanto?
Porque a CCJ é a primeira barreira formal para qualquer indicado ao STF.
Sem passar por ela, a indicação não segue adiante.
E, no caso de Messias, o governo Lula decidiu agir diretamente na composição do colegiado para ampliar sua margem.
Até pouco tempo atrás, o levantamento apontava 13 votos favoráveis e 8 contrários.
Agora, com a nova configuração, o placar passou para 15 a favor e 8 contra.
O número não cresceu por mudança espontânea de posição, mas pela entrada de senadores alinhados ao governo e pela saída de nomes contrários.
Quem entrou para ajudar?
Também houve a substituição de Cid Gomes, que não havia declarado posição, por Ana Paula Lobato, do PSB do Maranhão, que já havia sinalizado apoio a Messias em março.
Essas duas mudanças elevaram o total de votos favoráveis de 13 para 15.
E quem saiu?
Ele é contrário à indicação e criticou as manobras do governo para garantir os votos.
A expectativa é que retorne como suplente, mas sem direito a voto.
Ou seja, continua no debate, mas fora da contagem decisiva.
A oposição, por sua vez, tentou reagir.
Nesta terça-feira, 28 de abril, Plínio Valério, do PSDB do Amazonas, entrou na CCJ como membro titular.
O tucano votará contra a nomeação de Messias.
Com isso, os votos contrários, que haviam caído de 8 para 7 após as trocas anteriores, voltaram a somar 8.
O detalhe que muda a leitura do caso está justamente aí.
O governo conseguiu ampliar sua vantagem, mas ela continua mínima.
Mesmo com toda a articulação, a margem é de apenas um voto acima do necessário.
Isso revela duas coisas ao mesmo tempo: a força da operação montada pelo Planalto e a fragilidade do apoio real quando a disputa é apertada.
A sabatina de Jorge Messias na CCJ está marcada para quarta-feira, 29 de abril.
Se for aprovado, o nome seguirá para o plenário do Senado.
A comissão tem 27 integrantes, e ainda há senadores que não declararam voto.
São eles Professora Dorinha, do União Brasil de Tocantins, Rodrigo Pacheco, do PSB de Minas Gerais, e Vanderlan Cardoso, do PSD de Goiás.
Jayme Campos, do União Brasil de Mato Grosso, não respondeu ao questionamento feito pelo Poder360.
Há chance de mudança?
Sim, ao menos no campo das expectativas.
Rodrigo Pacheco tende a votar a favor por integrar a base governista.
Ainda assim, o cenário mostra que o governo preferiu não depender apenas de tendência política e trabalhou para alterar a própria composição da comissão.
O ponto central aparece justamente no fim dessa movimentação.
A indicação de Jorge Messias não chega à votação apenas sustentada por apoio consolidado, mas por uma engenharia política feita para assegurar o placar mínimo.
Em um processo que deveria testar a solidez do nome indicado, o que se viu até aqui foi uma corrida do governo Lula para rearranjar a CCJ e reduzir riscos.
Depois da comissão, a disputa muda de escala.
No plenário do Senado, a aprovação de um ministro do STF exige maioria absoluta: pelo menos 41 votos entre os 81 senadores.
A votação é secreta.
Se a Casa rejeitar a indicação, caberá ao presidente da República apresentar outro nome para a vaga.
Por enquanto, o que está claro é simples.
Antes mesmo da sabatina começar, a batalha principal já aconteceu nos bastidores da CCJ.
E foi ali, na troca de cadeiras e na contagem voto a voto, que o governo tentou construir a vantagem necessária para empurrar Jorge Messias rumo ao Supremo.