Uma acusação direta colocou em dúvida o discurso oficial dos Estados Unidos sobre a guerra contra o Irã.
Quem fez essa acusação?
Mas que tipo de informação estaria errada?
De acordo com a reportagem, os dados apresentados por Hegseth eram “excessivamente otimistas”.
Isso teria levado Trump a repetir publicamente números e avaliações enganosas, especialmente sobre um suposto controle total do espaço aéreo iraniano.
E por que essa versão passou a ser questionada?
Porque, enquanto Trump e Hegseth descreviam a campanha como um “sucesso absoluto”, os acontecimentos no campo de batalha mostravam outra realidade.
Trump afirmou na segunda-feira (6) que os EUA estavam “se saindo incrivelmente bem”.
Hegseth, por sua vez, declarou que o Irã havia sido “envergonhado e humilhado”.
Ainda assim, Teerã continuava demonstrando capacidade de ameaçar forças americanas.
Qual foi o episódio que mais expôs essa contradição?
Na sexta-feira (3), um caça F-15E foi derrubado por um míssil teleguiado por calor disparado de um avião portátil iraniano.
O que aconteceu com a tripulação?
Dois militares ficaram temporariamente isolados em território inimigo e só foram resgatados depois de uma operação de alto risco.
Esse caso abalou quais declarações anteriores?
Colocou em xeque as falas repetidas de Hegseth de que os EUA tinham “controle total do espaço aéreo iraniano” e de que o Irã “não possui defesas aéreas”.
A crítica foi apenas indireta?
Não.
Um funcionário do governo americano, sob condição de anonimato, afirmou ao jornal: “Pete não está falando a verdade ao presidente.
Como resultado, o presidente está por aí repetindo informações enganosas”.
Trump reconheceu o problema?
Sim, mas minimizou.
Durante coletiva na Casa Branca, ele admitiu o abate do F-15 e disse: “Ele teve sorte.
Foi um golpe de sorte”.
O episódio foi isolado?
Não.
No mesmo dia, o Irã também derrubou um avião de ataque A-10, embora o piloto tenha conseguido retornar ao espaço aéreo antes de se ejetar.
Então os EUA perderam a superioridade aérea?
Não exatamente.
O que foi contestado não foi a existência de vantagem americana, mas a ideia de domínio absoluto.
A analista militar Kelly Grieco, do Stimson Center, afirmou que os EUA têm superioridade aérea, mas não supremacia total.
Segundo ela, essa superioridade é limitada geograficamente ao oeste e ao sul, além de também depender da altitude.
Por isso, aviões americanos vêm operando acima de 15 mil ou até 30 mil pés para evitar foguetes portáteis como o que atingiu o F-15.
As dúvidas se restringem ao espaço aéreo?
Não.
Outras declarações de Hegseth também passaram a ser questionadas.
Ele afirmou repetidamente que os programas iranianos de mísseis e drones estavam sendo destruídos em sua maior parte.
O que dizem as avaliações recentes?
E quanto ao número de lançamentos iranianos?
Hegseth disse que esse volume havia caído para o nível mais baixo desde o início da guerra.
Essa informação se sustenta?
Segundo funcionários citados na reportagem, documentos internos do governo contradizem essa afirmação.
Períodos de 24 horas com ainda menos lançamentos já haviam ocorrido em meados de março.
Dados de código aberto compilados pelo especialista Dmitri Alperovitch também confirmam essa discrepância.
Se houve redução em alguns momentos, o que mudou na prática?
Autoridades americanas afirmam que olhar apenas para o volume de lançamentos é um erro.
O Irã teria alterado sua estratégia.
Em vez de atacar em grande quantidade, passou a preservar seu arsenal e priorizar ataques mais precisos e eficientes.
Segundo análise de fontes abertas, as taxas de acerto dos projéteis iranianos aumentaram ao longo do tempo.
Quais foram as consequências desse cenário?
Sete soldados americanos morreram em contra-ataques iranianos, e outros seis morreram em um acidente de reabastecimento em voo.
Além disso, quase 375 militares ficaram feridos.
O alcance da resposta iraniana ficou restrito a alvos diretos?
Não.
O Irã também lançou mísseis balísticos contra aliados dos EUA na região e acionou grupos apoiados por Teerã, como o Hezbollah, no Líbano, e milícias xiitas no Iraque, o que sobrecarregou os sistemas de defesa antimísseis.
Como o governo reagiu às acusações?
O porta-voz do Pentágono, Sean Parnell, rejeitou as críticas e classificou a reportagem como “mentiras e propaganda”.
Já a porta-voz da Casa Branca, Anna Kelly, afirmou que Trump “sempre teve uma visão completa do conflito” e que nada o surpreendeu.
E afinal, o que está no centro dessa disputa?
De um lado, a versão pública de Pete Hegseth e Donald Trump, que descreveu a campanha como um “sucesso absoluto” e sustentou a ideia de controle total do espaço aéreo iraniano e de destruição em larga escala dos programas de mísseis e drones do Irã.
Do outro, a reportagem do The Washington Post, baseada em fontes do governo, avaliações de inteligência, documentos internos e análises externas, segundo a qual um F-15E e um A-10 foram derrubados, mais da metade dos lançadores de mísseis iranianos segue intacta, milhares de drones de ataque continuam disponíveis, e o Irã ainda mantém capacidade de resposta militar.