A mudança parece simples, mas redesenha o tabuleiro político em Mato Grosso do Sul.
O que aconteceu?
A senadora Soraya Thronicke oficializou na sexta-feira, 3 de abril de 2026, sua saída do Podemos para ingressar no PSB.
Por que esse movimento chama tanta atenção?
Porque ele não se limita a uma troca de partido: faz parte de uma articulação para viabilizar sua campanha de reeleição e consolidar uma aliança com o PT no Estado.
Mas por que a troca de legenda era tão importante agora?
Porque Soraya busca uma estrutura partidária com mais segurança política e maior capilaridade eleitoral para enfrentar a disputa.
O cenário ajuda a explicar a decisão?
Sim.
Em Mato Grosso do Sul, duas cadeiras ao Senado estarão em disputa, o que amplia o peso das composições partidárias e torna a montagem de chapa ainda mais decisiva.
E como essa aproximação com o campo governista foi sendo construída?
Ela não surgiu de repente.
Soraya foi eleita em 2018 na onda do bolsonarismo, com o slogan “a senadora do Bolsonaro”, então pelo PSL, partido que depois se fundiu ao DEM para formar o União Brasil.
O que mudou de lá para cá?
A relação com Jair Bolsonaro foi rompida, e a senadora chegou a disputar a Presidência da República em 2022 contra o antigo aliado.
Essa ruptura teve reflexos mais recentes?
Teve.
Desde 2024, Soraya passou a votar com a base governista no Congresso e declarou preferência por Lula.
Isso ajuda a entender a ida ao PSB?
Diretamente.
A mudança de partido se encaixa nesse reposicionamento político e abre caminho para uma composição mais estável com forças alinhadas ao governo federal.
Quando essa articulação começou a ganhar forma?
Desde fevereiro, a ida ao PSB vinha sendo trabalhada.
Houve conversas concretas?
Sim.
Antes de a decisão ser encaminhada, Soraya recebeu em sua casa, em Campo Grande, o presidente estadual do PT, Vander Loubet, que é pré-candidato ao Senado, e o ex-deputado federal Fábio Trad, pré-candidato ao governo pelo partido.
O que eles queriam dela?
E a entrada no novo partido dependia apenas de um acerto local?
Não.
A negociação foi feita com o aval do presidente nacional do PSB, João Campos, e do vice-presidente da República, Geraldo Alckmin.
O que isso indica?
Mas qual é o efeito prático dessa decisão?
A filiação ao PSB fortalece a tentativa de Soraya de disputar a reeleição com uma base partidária mais ampla e, ao mesmo tempo, aproxima seu nome do projeto do PT em Mato Grosso do Sul.
E onde entra Vander Loubet nessa equação?
Na composição que está sendo desenhada, a senadora deve formar chapa com ele no Estado.
Então, no fim, o que fica definido?
Fica definido que Soraya Thronicke deixou o Podemos, filiou-se ao PSB e avançou na construção de uma aliança com o PT em Mato Grosso do Sul, em uma articulação voltada à disputa de 2026, com apoio de lideranças nacionais do partido e com perspectiva de compor chapa ao lado de Vander Loubet.