Os números chamam atenção logo de saída: São Paulo e Rio de Janeiro aparecem com os menores percentuais de adolescentes com título de eleitor em todo o país.
Mas quão baixa é essa participação?
Quem são esses jovens e por que esse recorte importa?
Trata-se dos adolescentes de 16 e 17 anos, grupo para o qual o voto é facultativo no Brasil.
O país tem cerca de 5,8 milhões de adolescentes nessa faixa etária.
Ainda assim, até fevereiro, apenas cerca de 1,8 milhão de jovens de 15, 16 e 17 anos haviam tirado o título.
O resultado prático é direto: apenas dois em cada dez jovens estavam aptos a votar.
Onde essa baixa adesão aparece com mais força?
No Sudeste, e de forma mais intensa justamente nos dois maiores estados da região.
Em São Paulo, há cerca de 1,19 milhão de adolescentes de 16 e 17 anos, mas pouco menos de 139 mil haviam se registrado como eleitores.
No Rio de Janeiro, são mais de 419 mil jovens nessa faixa etária, com cerca de 47,5 mil títulos emitidos.
Se SP e RJ estão na ponta de baixo, onde os adolescentes têm participado mais?
Os percentuais mais altos estão em estados do Norte e do Nordeste.
O levantamento mostra que, enquanto o Sudeste concentra a adesão mais baixa, essas duas regiões apresentam participação significativamente maior entre adolescentes.
Esse cenário é novo ou varia com o tempo?
Os dados indicam que o interesse dos adolescentes pelo voto muda de uma eleição para outra.
Em 2022, mais de 2 milhões de jovens haviam tirado o título, o equivalente a 34% do total apto.
Já em 2018, esse percentual era de aproximadamente 21%.
Agora, para 2026, o índice atual de 20,3% coloca o país em um patamar semelhante ao de oito anos atrás e abaixo do registrado na última eleição presidencial.
Diante dessa adesão reduzida, houve alguma reação institucional?
Sim.
O Unicef, em parceria com o TSE, lançou uma campanha nacional para incentivar adolescentes a exercer o direito ao voto.
A iniciativa busca mobilizar jovens para além da presença nas redes sociais e reforçar a participação por meio do processo eleitoral.
Como essa mobilização está sendo feita?
A proposta inclui premiar grupos que consigam aumentar proporcionalmente o número de jovens com título de eleitor e estimular a produção de conteúdos criativos sobre o tema.
E qual é a justificativa apresentada para esse esforço?
A especialista em Desenvolvimento e Participação de Adolescentes no Unicef no Brasil, Gabriela Mora, resumiu a proposta ao afirmar: “O Unicef se juntou ao TSE para fazer uma provocação para os adolescentes exercerem o seu direito à cidadania e escolherem o seu presente e o seu futuro por meio do voto.
Não adianta se indignar só nas redes sociais.
O voto é que vai fazer uma incidência direta no que vai acontecer com as políticas públicas das quais essa geração depende para o seu próprio desenvolvimento”.
O que os adolescentes precisam fazer para votar neste ano?
É necessário solicitar o título de eleitor até 6 de maio.
Esse prazo também vale para quem precisa transferir o domicílio eleitoral ou regularizar o documento.
Quem vai completar 18 anos até 6 de maio precisa tirar o título para votar na eleição deste ano.
Jovens a partir de 15 anos já podem solicitar o documento, mas só poderão votar se completarem 16 anos até o dia da eleição.
No fim, o retrato fica completo: o Brasil tem milhões de adolescentes em idade de participação facultativa, mas a adesão segue baixa; São Paulo e Rio de Janeiro registram os menores índices do país; Norte e Nordeste concentram os percentuais mais altos; e o prazo para emitir, transferir ou regularizar o título de eleitor termina em 6 de maio.