Pela segunda vez em apenas 40 dias, um voo com o ministro André Mendonça teve problemas antes de sair do chão.
Na manhã desta terça-feira, 28, o ministro do Supremo Tribunal Federal precisou trocar de aeronave no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, depois que falhas foram identificadas antes da decolagem do voo LA3203 da Latam, com destino a Brasília.
O embarque seguiu, mas não como previsto.
A viagem só aconteceu após a substituição do avião, com atraso de cerca de 1h30. O pouso na capital federal ocorreu sem intercorrências, por volta das 10h30.
O que aconteceu exatamente?
A Latam afirmou que o voo operou em total segurança e declarou ter prestado assistência aos passageiros.
Também reforçou, em nota, que manutenções e verificações técnicas seguem protocolos internacionais e são realizadas justamente para garantir a integridade e a confiabilidade das operações.
A explicação encerra o caso?
Mas o episódio chama atenção por um motivo simples: não se trata de um fato isolado na rotina recente do ministro.
Há apenas 40 dias, em 19 de março, Mendonça já havia enfrentado outro problema em voo comercial, também pela Latam.
Na ocasião, ele estava acompanhado do também ministro do STF Luiz Fux.
O voo foi cancelado antes da decolagem, sob a justificativa de medida preventiva após necessidade de inspeção técnica na aeronave.
Naquele caso, a companhia informou que havia suspeita de danos provocados por colisão com ave no voo anterior.
Também destacou que a decisão foi tomada antes do pushback, a manobra que antecede o taxiamento, e que não houve falha mecânica nem decolagem abortada.
Por que a repetição desses episódios ganhou peso maior agora?
Porque André Mendonça não é apenas mais um passageiro frequente na ponte aérea.
O ministro é relator de investigações consideradas sensíveis para os rumos da política e da criminalidade no país.
Entre elas, estão casos ligados a escândalos de corrupção bilionária, como os do Banco Master e do roubo a aposentados e pensionistas do INSS.
É nesse ponto que a história muda de patamar.
Ao assumir relatorias de processos com potencial de atingir o centro do poder público nacional, Mendonça passou a conviver também com boatos e teses de sabotagem.
Não há, no entanto, qualquer confirmação apresentada no conteúdo enviado de que os problemas nos voos tenham relação com isso.
O fato concreto é outro: em menos de um mês e meio, duas viagens comerciais com o ministro foram afetadas por questões técnicas antes da decolagem.
E por que ele segue em voos de carreira, mesmo tendo direito a outra estrutura?
A resposta está em uma escolha pessoal e institucional.
Desde que se tornou ministro do STF, em dezembro de 2021, André Mendonça não deixou de usar voos comerciais.
Ele se recusa a acessar o luxo das aeronaves da Força Aérea Brasileira, embora esse uso seja prerrogativa do cargo.
Essa decisão, que pode ser vista como sinal de sobriedade, também levanta uma pergunta inevitável: os episódios recentes podem levá-lo a rever a rotina?
Até agora, não há resposta oficial.
A assessoria de imprensa do STF foi questionada sobre três pontos centrais: se os casos de hoje e de março levarão o ministro a adotar alguma cautela adicional, se existe possibilidade de passar a usar voos da FAB e como ele está após os episódios.
Segundo a informação disponível, não houve retorno até a última atualização.
O dado principal, portanto, aparece no fim, mas ajuda a reorganizar toda a narrativa.
Não houve acidente, não houve decolagem interrompida no ar e não houve registro de problema no pouso.
Houve, sim, duas ocorrências técnicas em sequência, ambas antes da partida, ambas em voos comerciais, ambas envolvendo um ministro do STF que optou por abrir mão da estrutura aérea oficial mesmo ocupando uma das cadeiras mais poderosas da República.
Num ambiente político já marcado por tensão, investigações delicadas e desconfiança permanente, a repetição de falhas em viagens de uma autoridade com esse perfil inevitavelmente amplia a atenção sobre cada detalhe.
Por enquanto, o que existe de concreto é isso: mais um atraso, mais uma troca de aeronave e mais uma pergunta em aberto sobre até quando Mendonça manterá a mesma escolha de viagem.