Ele dobrou a aposta contra a mais alta Corte do país justamente quando já estava na mira dela, e isso mudou o tom do confronto.
Mas o que foi dito para provocar tamanho choque?
A declaração foi direta, dura e calculada para repercutir.
Romeu Zema afirmou que o STF é o “pior Supremo da história” e comparou o tribunal a um agente que, em vez de apagar incêndios, joga gasolina na crise.
A imagem escolhida não foi casual.
Ao dizer que antes o Supremo era o “bombeiro do Brasil” e agora seria o “incendiário do Brasil”, ele transformou uma crítica institucional em ataque frontal.
Só que por que essa fala veio agora?
Porque ela surgiu como resposta a um movimento que elevou a tensão.
O ministro Gilmar Mendes pediu que Alexandre de Moraes incluísse Zema no inquérito das fake news.
E é nesse ponto que a história deixa de ser apenas uma crítica política e passa a girar em torno de reação, revide e disputa de narrativa.
Mas o que colocou Zema nesse radar?
No material, um boneco que imita Gilmar Mendes conversa sobre o caso Master com outro que representa Dias Toffoli.
A publicação foi suficiente para acender o alerta entre ministros do STF.
Zema então passou a sustentar que estava sendo atingido por algo maior do que uma simples contestação ao conteúdo.
E qual foi a linha de defesa escolhida por ele?
A da liberdade de expressão.
Zema disse que o país estaria vendo um “atentado à democracia” e questionou se caricatura e ironia não poderiam mais existir.
Foi além: afirmou estar sendo tolhido em sua liberdade de expressão e comparou esse tipo de restrição a regimes autoritários.
A intenção era clara.
Não apenas responder ao pedido de Gilmar, mas ampliar o debate para um terreno mais sensível e mobilizador.
Só que a reação parou aí?
Não.
E aqui está o detalhe que muita gente subestima: a fala de Zema rapidamente ganhou eco entre nomes da direita.
Durante um evento de pré-campanha em Sinop, no Mato Grosso, Flávio Bolsonaro prestou solidariedade ao ex-governador mineiro e o chamou de vítima de uma militância no Judiciário.
Ao mesmo tempo, voltou a dizer que ações contra ele e contra Eduardo Bolsonaro seriam uma tentativa de interferir no resultado da eleição.
Por que isso importa tanto?
O que parecia uma resposta individual virou combustível para um discurso mais amplo contra ministros do Supremo.
E quando isso acontece, a crítica deixa de mirar apenas uma decisão e passa a questionar o papel da Corte no processo político.
Mas Zema ficou só no ataque verbal?
Não.
O que vem depois muda o peso da fala.
Ele também apresentou propostas para mudar o funcionamento do STF.
Entre elas, exigir que indicados ao tribunal tenham mais de 60 anos, acabar com decisões monocráticas e permitir que a abertura de processo de impeachment contra ministros dependa apenas da maioria do Senado.
Além disso, disse que pretende alterar o modelo de indicação, hoje concentrado no presidente da República, incluindo participação do STJ, da PGR e da OAB.
E por que ele levou a crítica a esse nível?
Porque tentou mostrar que não se trata apenas de indignação momentânea, mas de um projeto político.
Ao chamar ministros de “intocáveis” e dizer que eles serão substituídos por “brasileiros de bem”, Zema conectou o embate atual a uma promessa de mudança institucional.
É aqui que muita gente se surpreende: a fala não foi apenas reação, foi também posicionamento eleitoral.
Mas havia apoio concreto a essa escalada?
Sim, embora com limites evidentes.
Deputados de oposição decidiram apresentar novo pedido de impeachment contra Gilmar Mendes, além de uma notícia-crime à PGR e uma manifestação ao presidente do STF, Edson Fachin.
Ao mesmo tempo, o próprio líder da oposição na Câmara admitiu que hoje não há maioria no Senado para instaurar esse processo.
Ou seja, existe barulho político, mas sem força suficiente para garantir consequência imediata.
Então qual é o ponto central de tudo isso?
Que Romeu Zema respondeu à reação de Gilmar Mendes reforçando o confronto com o STF, chamando o tribunal de incendiário e transformando sua defesa em bandeira política.
A crítica nasceu de um pedido para incluí-lo no inquérito das fake news, cresceu com o discurso sobre liberdade de expressão e se expandiu para propostas de reformulação da Corte.
Só que a parte mais delicada talvez esteja justamente no que ainda vem pela frente, porque quando o ataque sai do campo da frase de efeito e entra no da disputa por poder, a crise deixa de ser apenas retórica.