A fala foi explosiva, mas o momento diz ainda mais.
Em pronunciamento em cadeia de rádio e TV pelo Dia do Trabalhador, Lula afirmou que, “se dependesse do sistema, nem a escravidão teria sido abolida no Brasil”.
Por que o presidente subiu o tom?
Lula atacou a elite brasileira e disse que o “andar de cima” sempre foi contra avanços como salário mínimo, férias e 13º.
O que ele tenta associar a isso?
No discurso, também afirmou que não faz sentido manter milhões de brasileiros trabalhando seis dias para descansar um, com destaque para o peso maior sobre as mulheres.
Mas há um detalhe que muda a leitura.
A fala foi gravada antes de uma forte derrota do governo no Senado, com a rejeição de Jorge Messias para o STF.
Menos de 24 horas depois, o Congresso ainda derrubou veto de Lula ao PL da Dosimetria.
Ou seja: enquanto o presidente endurecia o discurso social na TV, sua base sofria abalos no Congresso.
No fim, o recado foi claro: Lula tentou usar o 1º de Maio para pressionar pela jornada 6 x 1 em meio a um cenário de desgaste político.